Seis conselhos para um rio

Texto de Ricardo Alves

Encenação de Paulo Duarte

Interpretação de Adolfo Campos, António Magalhães, Daniel Figueiredo, Eduardo Correia, Francisco Magalhães, Jorge Pereira, Pereira da Silva

Arranjo Musical de Daniel Figueiredo

Espaço cénico e adereços de Teatro do Montemuro

Construção do espaço cénico e adereços de Carlos Cal e Maria da Conceição Almeida

Figurinos de Maria da Conceição Almeida

Desenho de luz de Paulo Duarte

Direção de Cena de Abel Duarte

Direção de Produção e Comunicação de Paula Teixeira

Assistência de Produção e Comunicação de Marta de Baptista

Classificação Etária Maiores de 6 anos

Agradecimentos: Ángel Fragua, Junta de freguesia de Vila Boa de Quires e Maureles, Paróquia de São Martinho de Mouros, Santa Casa da Misericórdia de Resende, União das Freguesias de Amarante – São Gonçalo, Madalena, Cepelos e Gatão

SINOPSE

“E mais a mais, cada um faz o que quer com as histórias que aprende.”

A primeira coisa que se tem que fazer para contar uma história é ouvir. Depois decidir se se a reconta ou não. Se se decidir recontar pode-se pensar o que se vai mudar e o que se vai passar para o próximo ouvinte. Ou então deixar o mecanismo da memória selectiva escolher os factos que nos tocaram e merecem ser recontados e quais os que devemos actualizar ou personalizar.

E é à soma de todas essas histórias e das suas adaptações que se chama memória colectiva. A tradição oral vai mantendo a sua importância inalterada porque se vai alterando com o tempo.

“Quem conta um conto acrescenta um ponto. Se você levar a história escrita fixa-a para  sempre. Até parece que a história morre.  As histórias querem-se livres, a mudar todos os dias. A crescerem e a adaptarem-se aos dias  que passam.”

E as histórias nascem num lugar. Podem renascer noutro, mas já são novas histórias, apesar de serem iguais a outras. O Douro tem o seu próprio imaginário. Deverão haver centenas de penedos de cornudos espalhados pelo mundo, mas o penedo da Serra da Aboboreira é especial porque soubemos trazer a sua lenda até aos dias de hoje. E se alguma coisa esta história prova é que há coisas que não mudam. Quem tem tempo livre inventa histórias. Transforma em narrativas as suas angústias. Serei cornudo ou não serei? Vou perguntar à pedra.

“Eu vou-lhe explicar como a coisa funciona. Você vai lá e atira uma pedra para cima do penedo, se ela ficar lá em cima equilibrada é porque a sua mulher sempre lhe foi fiel. Se a pedra cair ao chão, prontos, tem um par de cornos, mas prontos são os cornos pequeninos que  sua mulher só o traiu uma vez. Deve ter sido por curiosidade.  E nesse caso você só tem uma solução, pega na pedra e atira outra vez. Se ficar em cima é porque foi mesmo por curiosidade, se voltar a cair foi porque a primeira traição correu bem e ela quis mais. E é assim enquanto a pedra cair você vai contando as vezes que ela o traiu. Só pára quando a pedra ficar lá em cima ou então quando se cansar. Percebeu? Mas também lhe digo uma coisa: No penedo de Travanca há mais pedrinhas no chão, que as que ele carrega nas costas.”