SERÕES NA SERRA

Como os serões de outros tempos – saudosas reuniões entre familiares ou amigos, aconchegadas, tranquilas, agasalhadas – a programação regular do Espaço Montemuro perpetua momentos de partilha, que reúnem na serra aqueles que encontram aconchego à volta de um produto artístico, sem receios de subir por estradas também de outros tempos, faça chuva ou faça sol. Abre-se assim o Espaço Montemuro com mais frequência ao público durante o ano, com espetáculos, mais ou menos, uma vez por mês e com uma programação diversificada, para diferentes públicos-alvo.

Reservas: teatromontemuro@gmail.com  |  254 689 352

 

Espetáculo do Teatro Noroeste encenado por António Capelo, com a interpretação de Alexandre Calçada, Alexandre Martins, Ana Perfeito, Elisabete Pinto, José Escaleira e Tiago Fernandes. 


“P’ra mentira ser segura
E atingir profundidade,
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade”
António Aleixo
Num mundo (o nosso) de fake-news, perguntamos:
Na vida, o que é a verdade? E no teatro? O teatro a fazer-se vida, será espaço de mentira? O ator para mentir, terá de ser verdadeiro? A mentira pode ser sinal de ação (no drama)? Haverá mentiras piedosas?
Estas são algumas das perguntas que colocámos para iniciar o confronto: da mentira das personagens, para a verdade dos atores. O texto de Garrett cruza elementos muito próprios de um tempo (sec. XIX) e de um espaço (LISBOA, capital do império). Aqui se definem situações de poder. Poder individual e poder coletivo. Usa-se a mentira para atingir os fins desejados: e ninguém fica impune! Usa-se a mentira, como hoje se abusa da mentira. Ela fez o seu caminho entre nós e com ela se atingem os fins mais obscuros na história da humanidade. Talvez que estas perguntas nos levem a um jogo que nos permita entender melhor este caminho ínvio que é, infelizmente, o caminho da mente humana. Para tentarmos perceber como se joga e onde se joga. Na cena? Nos bastidores? No corpo? Na mente? E a tudo isto, como reage a plateia? Se estas são as nossas muitas perguntas, onde estão as vossas respostas? – António Capelo