Educação e Comunidade

Acolhimento de escolas

É preciso desmistificar as artes, estimular o gosto pelo teatro e o sentido crítico dos jovens. Já lá vão mais de dez anos desde que o Teatro do Montemuro começou a convidar as escolas para o Espaço Montemuro. O projeto cresceu e hoje as escolas integram esta atividade nos seus planos de atividades e ano após ano visitam a aldeia para viverem esta experiência. Ao trabalhar com os mais jovens a companhia faz com que neste tipo de experiência teatral o jovem espectador não se limite a assistir a um espetáculo no palco, “obrigando-o” a pensar, a formar opiniões, a exprimi-las em palavras, ações, imagens ou sons.

Esta iniciativa pretende mostrar esta realidade do teatro a novos públicos, aos jovens, mostrando e explicando o processo de montagem, desde a criação dos textos até à configuração dos adereços, tudo num dia muito intenso que começa obviamente com a apresentação da peça. Depois de uma conversa de apresentação da equipa e do projeto entre atores, encenador, alunos e professores, segue-se uma visita aos vários departamentos: oficina, camarins, escritórios, palco, arquivo, parte técnica, etc. Após uma pausa para o almoço, a tarde de trabalhos inicia-se com vários jogos, explorando a expressão dramática. A tarde termina com uma apresentação resultante dos jogos, exercícios e improvisações feitos pelos alunos.

Para muitos dos jovens que vêm até ao nosso espaço este é o primeiro contacto que têm com o teatro, para outros, começa já a ser visita habitual e começam a conhecer melhor o trabalho da companhia.

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O Teatro do Montemuro quer continuar a trabalhar para fortalecer esta missão (e dever) de serviço público.

Dezembro em cena

O projeto “Dezembro Em Cena” é uma atividade que o Teatro do Montemuro realiza há já vários anos com a comunidade local, com um trabalho mais expressivo nas crianças e jovens.

O objecto artístico a trabalhar está muito dependente dos autores /formadores/ que o vão desenvolver e também das expetativas dos participantes. Por vezes essa decisão é tomada no primeiro encontro. A cada ano, o projecto está a cargo de uma direção, tema e textos diferentes, liderado por colaboradores fixos ou externos à estrutura. A ideia de formação, que está subjacente ao projeto, é paralelamente prioridade, daí este equilíbrio entre o exercício, como forma de aprendizagem, a descodificação de textos clássicos e outros contemporâneos, a concentração, o ouvir etc. e a interpretação, que é a actividade que acolhe mais entusiasmos.

Este trabalho tem envolvido, de ano para ano, as populações da Serra com a companhia e a própria comunidade entre si.

Formação

O JOGO TEATRAL, AS HISTÓRIAS E AS EMOÇÕES

Teatro Gestual – um teatro mais aberto, mais de fora para dentro, onde o corpo tem uma função importante na criação de personagens, principalmente os mais grotescos.
Teatro da Máscara – teatro técnico essencialmente mais direccionado para a comédia Dell´Arte. O uso da máscara obriga-nos a uma rigidez técnica que vai normalmente contra os nossos instintos. É utilizada para criarmos outros seres humanos diferentes, mas também credíveis.
Teatro de Emoções – é onde o trabalho da personagem vai ao pormenor. Toda a história que não se conta, vai ajudar o actor a criar e a fazer com que a personagem, reaja a diferentes situações, com sinceridade, com emoções que o momento propõe e principalmente com verdade. Aqui a técnica fica um pouco de lado, para que o actor se exprima naturalmente, sentindo de facto que toda a atmosfera o leve a reagir assim.
Criação de histórias – como ponto de partida podemos trabalhar num conto tradicional da região, como podemos partir do nada.

Os nossos formadores

Abel Duarte

Nasceu e cresceu na aldeia de Campo Benfeito. É o Diretor de Cena da companhia e ator desde 1998 em todas as produções levadas a cena pela estrutura. Em termos da sua formação destaca o workshop em direção de cena com o Dr. Jonas Omberg; o curso de formação em Artes do Espetáculos e o curso de Teatro e Animação. Como ator teve o privilégio de participar no espetáculo da Companhia belga LAIKA “Peep&Eat” no âmbito do Projeto PERCURSOS organizado pelo CCB e participou também no projeto “Hotel Tomilho” com a mesma companhia belga. É também da sua responsabilidade a montagem de exposições; desenvolvimento de ateliers e workshops com escolas e associações e a função de frente de casa do Festival Altitudes. Participou recentemente nos workshops promovidos pela companhia nas áreas da “Percussão” com Carlos Adolfo, “Movimento” com Madalena Vitorino, “Técnica da Máscara” com Nuno Pino Custódio e “Manipulação da Marioneta” com Andrew Purvin.

Eduardo Correia

Nascido no ano de 1968, é desde 2004 Diretor Artístico do Teatro do Montemuro do qual é um dos fundadores. Nas inúmeras áreas que desenvolve, destaca-se o trabalho como ator, tendo participado em quase todas as produções da companhia. Durante estes 22 anos ligado à criação artística teve a oportunidade de trabalhar com diferentes dramaturgos, encenadores, cenógrafos, figurinistas, diretores musicais etc. . Teve uma breve passagem pelo cinema com a adaptação da peça de teatro “ Lobo Wolf”. Participou em varias ações de formação que vão desde a caracterização, passando pela comédia D`ell Arte, clown, movimento, escrita criativa, percussão entre muitas outras. A experiência que foi adquirindo ao longo do tempo empurrou-o para outros desafios criando peças contemporâneas, baseando-se na universalidade das coisas. Textos como o “Amor” 2oo5, “Viagem dos sentidos “2009, “Perdido no Monte” 2010, “A voz que não se ouve” 2012, “Monólogos de uma vida” 2016.

Paulo Duarte

Nascido a 20 de Janeiro de 1972 na aldeia de Campo Benfeito, é um dos fundadores do Teatro Regional da Serra do Montemuro. Exerce as funções neste momento de Diretor Financeiro e Técnico e é um dos atores permanentes da companhia. Desde 1996 que é o responsável pelo design de luz dos projetos da companhia. Faz parte da organização do Festival Altitudes desde 1998. Um dos seus principais objetivos profissionais passa pela encenação. A sua primeira experiência foi em 2006 com o projeto “Qaribó”, em 2008 efetuou outro trabalho de encenação no projeto “Sem Sentido” com um grupo escolar, esse trabalho desenvolveu-se nos dois anos seguintes num outro projeto com os mesmos objetivos mas com o nome “Viagem dos Sentidos”. Em 2011 fez a encenação do projeto “Remendos” , em 2012 a coencenação do projeto “O Gigante”, em 2015 “Jardim de Estrelas”, em 2017 “Contos de Baco”. Destacam-se ainda as encenações dos projetos que envolveram várias comunidades entre 2014 e 2017.

    Seniores

    O Teatro do Montemuro iniciou a uns anos atrás uma atividade dirigida a pessoas com mais idade. Este projeto surgiu da necessidade que sentimos em poder contribuir com os nossos conhecimentos em prol de uma melhor qualidade de vida desta gente, tendo em conta o panorama e a pertinência em que os nossos idosos vivem.
    É imperativo estarmos cada vez mais inseridos numa sociedade que pretendemos mais atenta e mais solidária.
    Achamos importante desenvolver uma ação que visasse minimizar algumas questões sociais, nomeadamente o vazio, a solidão, a partilha, a equidade de tratamento, a justiça social. Estas faixas etárias continuam a ser a memória viva, que mais valida a história do mundo em que vivemos. Um povo que não preserva a memória perde referencias importantes na construção de um futuro melhor.
    Atenta a estes grupos a companhia tem-se deslocado aos lares, ipss, associações culturais para em conjunto proporcionarem um dia diferente. O objetivo é claramente o entretenimento que surge através da relação de proximidade, da partilha de saberes e vivencias, dos jogos e exercícios que estimulem o lado físico e mental e culmina com uma pequena apresentação teatral.
    O carinho que temos recebido, quer por parte dos utentes, quer de todos aqueles grandes profissionais que trabalham nestas instituições, tem confirmado que este investimento é um passo seguro no caminho que traçamos. Vamos continuar este projeto porque faz cada vez mais sentido, e a prova disso é que no final de cada ação a pergunta é sempre a mesma “Então quando voltam?”.