A ligação do Teatro Regional da Serra do Montemuro com a sua comunidade na pequena aldeia de Campo Benfeito foi sempre e continua a ser estreita. Hoje em dia a companhia passa muito tempo fora da sua terra natal em digressões nacionais e internacionais. Os convívios comunitários, porem, é umas das tradições que não abandonamos.
O convívio é um serão serrano aberto a toda a aldeia e à qualquer pessoa que por lá esteja nesse dia. As pessoas juntam-se na antiga sede da Associação Cultural, Desportiva e Recreativa do Fôjo, uma pequena casa do centro da aldeia de Campo Benfeito. Cada um traz algo para comer e junta à mesa e acabamos sempre com um autêntico banquete.
Há uma actividade principal. Nos últimos tempos estas actividades têm incluído pequenas peças de teatro (Tia Miséria – Teatro O Bando), as canções do Cancioneiro de Campo Benfeito, contadores de histórias (António Fontinha), projecção de vídeos (Alminhas – um documentário de Marco Miranda), noites de jogos tradicionais, pequenas palestras etc.
Os convívios têm como objectivo combater o isolamento, a solidão e promover a união entre as pessoas da aldeia e seus amigos, principalmente nos duros meses do Inverno. Para um TRSM é um voltar as raízes, aos princípios bases. O primeiro convívio foi realizado em 1990. Os convívios acontecem duas ou três vezes no ano e com uma programação irregular, de acordo com a vontade das pessoas.
Trabalho com os estabelecimentos de ensino
O Teatro Regional da Serra do Montemuro desenvolve dois tipos de trabalhos com escolas de todos os graus de ensino, desde o início da sua actividade.
Espectáculos para o grande publico apresentados em, ou para o publico escolar.
Espectáculo-Ateliers concebidos especificamente para uma faixa etária.
A) Entre 1999 e 2003 desenvolvemos uma estreita colaboração com o Governo Civil de Viseu, para levar espectáculos para as escolas, terminando com uma digressão pelos vinte e quatro concelhos do distrito. Em cada concelho realizou-se um espectáculo para o grande público e outro para o publico escolar.
Há alguns princípios fundamentais para a representação de espectáculos para as escolas que praticamos:
O espectáculo é apresentado na sua integra. Nunca se fazem “ajustes” ao texto ou a acção. Entendemos que isto é condescendente para com os jovens espectadores. Onde for apropriado fazemos uma pequena apresentação, ou contextualização antes do espectáculo.
O espectáculo é apresentado para um público que nunca poderá exceder os duzentos alunos, acompanhados por um número adequado de professores. Entendemos que é mais importante a qualidade do que a quantidade. Este tipo de espectáculo são muitas vezes o primeiro contacto que os alunos têm com o teatro e a fraca visibilidade, audição ou concentração pode prejudicar gravemente este relacionamento.
O espectáculo é sempre seguido por uma acção de reflexão e analise com os alunos. Esta acção poderá ter uma ou mais das seguintes formas:
conversa estruturada entre actores, encenador, alunos e professores
questionário entregue aos professores e preenchido por cada aluno
dossier pedagógico com sugestões de actividades a desenvolver com os alunos sobre os temas do espectáculo (ver anexo dossier de Os Gregos)
workshop de expressão dramática em que os próprios alunos exploram os temas do espectáculo através de jogos, exercícios e pequena apresentações.
Procuramos em espectáculos realizados nas instalações das próprias escolas, ou aquando a visita de escolas ao Espaço Montemuro, criar um ambiente, que é acolhedor, mas concentrado. O nosso objectivo é estimular o gosto pelo teatro e o sentido crítico dos alunos e desmistificar as artes.
Há quatro anos atrás o Teatro Regional da Serra do Montemuro começou a convidar as escolas dos concelhos do distrito de Viseu a visitar o Espaço Montemuro, assistir a um espectáculo de teatro, conversar com os actores e por vezes participar num workshop. Muitas destas escolas aproveitam esta visita para fazer um piquenique, visitar As Capuchinhas – Cooperativa de Confecção e Venda Vestuário Artesanal, também em Campo Benfeito, fazendo deste dia uma verdadeira visita de estudos.
No período de 2005-8 vamos desenvolver esta área do nosso trabalho apresentando cada espectáculos, no mínimo cinco vezes para o público escolar no Espaço Montemuro. Os jovens espectadores pagarão um bilhete simbólico de dois euros. Entendemos que faz parte da formação dos espectadores de amanhã a noção que a cultura paga-se. Deixamos ao critério dos professores responsáveis quais os alunos que não têm possibilidades de pagar este bilhete e que devem receber bilhetes grátis. O transporte é realizado normalmente em autocarros das respectivas autarquias.
B) Espectáculos como A Donzela do Milho, Os Gregos e Vasco na Cama representam uma área de trabalho em que o Teatro do Montemuro tem sido verdadeiramente inovador. A receita é simples: Junta-se um tema directamente ligado a uma área do currículo (a preservação do meio ambiente, a Antiga Grécia, ou os descobrimentos), com uma história e personagens cativantes, num ambiente que é teatral, especial, mas que também permite e estimula a conversa, o debate e a participação dos espectadores. De outro modo como é que se podia explorar Antígone e os princípios da democracia e da justiça com crianças com doze anos, como o fazemos em Os Gregos? Ou os prós e contras, os riscos e as potencialidades de viajar, o racismo, os princípios da economia, a doença e a morte em Vasco na Cama?
No programa de 2005-8, os espectáculos Mãos Grandes e Da minha Vista Ponto vão desenvolver ainda mais estes princípios e estas técnicas, fruto de muitos anos de experiência.
Neste tipo de experiência teatral o jovem espectador, não se pode limitar a assistir a um espectáculo num palco. Ele é obrigado a pensar, a formar opiniões, a exprimi-las em palavras, acções, imagens ou sons. Tudo isto acontece sobre a protecção de uma estrutura dramática criada com muito cuidado e que “seduz” a participação do jovem gradualmente.
A maior lição de todas é que para viver temos que estar presentes e activos na nossa própria vida, não apenas observadores.
Férias de Páscoa 2008
O Teatro do Montemuro acolheu dezenas de crianças no Espaço Montemuro
durante as férias da Páscoa. Brincaram, pintaram, colaram. Durante 4
dias estas crianças criaram vários elementos decorativos para oferecer
aos seus familiares. Acima de tudo estiveram com o seu tempo ocupado e
divertiram–se.
"A viagem dos Magros" Espectáculo das crianças da aldeia