O Teatro Regional da Serra
do Montemuro nasceu em 1990, produto do encontro entre
artistas locais, nacionais e internacionais, na pequena
aldeia de Campo Benfeito, no alto da Serra do Montemuro.
Uma das características principais da companhia em termos
artísticos é a sua forte aposta na criação de textos
originais, inspirados no mundo à sua volta. As peças são
concebidas num processo colectivo que une actores,
escritores, encenadores, cenógrafos e compositores na
criação destes espectáculos.
O teatro do TRSM inspira-se na cultura popular, desde as
máscaras de Lazarim até aos Santos Populares e do cinema
mudo até ao fado, sem nunca criar espectáculos “fáceis” ou
condescendentes.
É um teatro contemporâneo, com as suas raízes fortemente e
assumidamente no meio rural e com a sua actividade em todo
território nacional e cada vez mais no palco Europeu.
O texto tem uma função fundamental. Somos em primeiro lugar
contadores de histórias. A linha narrativa é o esqueleto de
todo o nosso trabalho.
Mas o texto e a palavra não são a única linguagem dos nossos
espectáculos, nem a principal. Cenários, figurinos,
máscaras, música, emoção: tudo faz parte de uma linguagem
teatral complexa, que fala para públicos muito diferentes,
permitindo que cada espectador se relaciona com a peça ao
nível que lhe convém e que lhe satisfaz.
O que mais distingue o Teatro do Montemuro em termos
artísticos é a entrega e a energia dos seus actores. O seu
estilo de representação é fisicamente e emocionalmente
desgastante para os actores que impressionam pela sua união
em palco, pela sua capacidade de desdobramento de
personagens e pela sua forte presença.
Sendo uma companhia do meio rural somos por obrigação e por
vocação uma companhia itinerante. Um dos atributos que nos
distingue é a nossa capacidade de apresentar um espectáculo
em quase qualquer sítio. Apresentamos os mesmos espectáculos
um dia na Culturgest, ou no CCB em Lisboa, ao outro numa
associação na Beira Baixa e ou num salão paroquial na Serra
do Gerês e com o mesmo rigor.
Um dos factores mais inovadores do trabalho do TRSM é a
experimentação com dispositivos alternativos e na relação
actor – espectador. Fazemos espectáculos para palcos
convencionais, mas também apresentamos em palcos bi-frontais,
em arena ou com o publico em “promenade”.
A diversidade dos espectáculos é fundamental para o TRSM e
para o nosso público. Nos últimos dois anos por exemplo:
A Caminho do Oeste – 3 monólogos sobre o tema do rio
Eira dos Cães – a partir de Macbeth de Shakespeare
Carrada de Bestas - espectáculo ao ar livre
Deixem-me Ressonar – comédia sobre hospitais, doenças e a
morte
Vasco na Cama – teatro para o público escolar
Grande Aventura – teatro de rua
Hotel Tomilho – instalação em grande escala em Antuérpia
O nosso trabalho educativo e para escolas é exemplar, usando
uma fusão de teatro, contadores de história, participação e
debate, para explorar temas tão profundas, como a
democracia, a justiça, a honra, os princípios, a morte, o
espírito de aventura, lado ao lado com as áreas curriculares
mais convencionais como a antiga Grécia, o meio ambiente e
os descobrimentos.
O TRSM mantém ao seu centro um núcleo duro de seis pessoas
que forma o conselho artístico da companhia. É uma estrutura
compacta, que investe os seus recursos e as suas energias
principalmente na criação e na apresentação de nova obras de
teatro contemporâneo. Neste trabalho conta com a colaboração
de um vasto leque de colaboradores, profissionais nacionais
e internacionais.
É um dos princípios fundamentais da companhia manter o
crescimento desta estrutura constante, mas gradual, nunca
perdendo a noção da sustentabilidade. O crescimento
individual e colectivo artístico porem é uma preocupação
constante e fazemos tudo para manter o TRSM num constante
estado de evolução.