A VELHA CASA DE MADEIRA


Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.
E estava sempre em casa
a boa da velhinha,
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra, galinha,
de cá de lá de além
e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

Certo dia aparecendo do nada um velho vem-nos falar a relembrar a sua infância e do seu grande desejo: encontrar a “máquina do tempo”.
Desfaz-se da sua pele poeirenta e revive a primavera da sua vida quando encontrou, escondida na sua casota, uma velha rabugenta. A velha fica surpreendida com tal acontecimento pois chegava- lhe a vida tranquila com os animais que a cercavam. Ignora a criança pois a curiosidade do menino invade sua vida quotidiana tranquila e isolada entregue ao fazer e refazer os fios no seu fuso.
A criança começa também a resmungar nhem-nhem-nhem... e cada dia que volta a velhinha atira- lhe algo para afasta-lo – um nabo, uma maça, um rolo de fios – está feita a ligação. O rapaz e um amigo seguem o fio do caminho que lhes abre enfim a porta da velha casa de madeira.... começa enfim uma longa conversa com a velhinha.
Aos poucos ela começa a contar o seu passado, e cada história é uma viagem na máquina do tempo.
Todos os dias pela manhã lá estavam as crianças e todos os dias pela manhã a velha rabugenta lá esperava por elas.
Seria capaz a velhinha resmungona de começar a conviver com o ser humano? Estaria ela também a relembrar a sua infância?
Um dia as crianças chegam e encontram apenas a melodia dos animais...
Que teria acontecido?