A VELHA CASA DE MADEIRA

Texto e Encenação José Caldas
 
Naquela casa de madeira
Morava uma velhinha
Que vivia, coitadinha
Sem ninguém pra conversar
E sentada na cozinha
A aquecer as mãozinhas
Reclamava sozinha
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
 
Seu gato que ronronava
Aos pés de sua caminha
Ouvindo sempre a velhinha
Começou a ronronar
Também naquele resmungo
E quando ela murmurava
O gato também duetava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
 
Também o cão que morava
Em uma casa vizinha
O galo, a ovelha e a galinha
Daqui, dali, de acolá
Aprenderam a resmungar
Naquele cantarolar
nhem-nhem-nhem,nhem-nhem-nhem...
 
E assim a nossa velhinha
Que tão triste suspirava
Pois com ninguém conversava
Ficou toda alegrinha
Pois quando da boca saía
Aquela sua cançãozinha
O coro lhe acompanhava
nhem, nhem, nhem, nhem, nhem, nhem...

 

 
Certo dia aparecendo do nada um velho vem-nos falar a relembrar a sua infância e do seu grande desejo: encontrar a “máquina do tempo”. 
Desfaz-se da sua pele poeirenta e revive a primavera da sua vida quando encontrou, escondida na sua casota, uma velha rabugenta. A velha fica surpreendida com tal acontecimento pois chegava- lhe a vida tranquila com os animais que a cercavam. Ignora a criança pois a curiosidade do menino invade sua vida quotidiana tranquila e isolada entregue ao fazer e refazer os fios no seu fuso.
A criança começa também a resmungar nhem-nhem-nhem... e cada dia que volta a velhinha atira- lhe algo para afasta-lo – um nabo, uma maça, um rolo de fios – está feita a ligação. O rapaz e um amigo seguem o fio do caminho que lhes abre enfim a porta da velha casa de madeira.... começa enfim uma longa conversa com a velhinha.
Aos poucos ela começa a contar o seu passado, e cada história é uma viagem na máquina do tempo. 
Todos os dias pela manhã lá estavam as crianças e todos os dias pela manhã a velha rabugenta lá esperava por elas.
Seria capaz a velhinha resmungona de começar a conviver com o ser humano? Estaria ela também a relembrar a sua infância?
Um dia as crianças chegam e encontram apenas a melodia dos animais...
Que teria acontecido?

 
Texto e Encenação José Caldas
Cenografia, Adereços e Figurinos Andrew Purvin e Ruby Gibbens
Direção Musical Mary Keith
Desenho de Luz Paulo Duarte
Interpretação Abel Duarte, Paulo Duarte e Rebeca Cunha
Construção de Cenários e Adereços Carlos Cal e Maria da Conceição Almeida
Costureiras Capuchinhas CRL e Maria do Carmo Félix
Ilustração Cartaz Helen Ainsworth
Fotografia e Vídeo Lionel Balteiro
Direção de Cena Abel Duarte
Direção de Produção e Comunicação Paula Teixeira
Assistência à Produção e Comunicação Guida Maria Rolo
Estagiária Carolina Sequeira